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Oratórios Itinerantes ou de Viagem
Por sua característica itinerante, alguns oratórios são chamados de viagem. Eles são carregados em lombo de burro, dependurados junto ao corpo, no bolso e têm como função básica a segurança do usuário. Dessa forma funcionavam como objetos de fetiche ou amuletos aos quais o fiel poderia recorrer diante de qualquer situação de perigo.

Outros oratórios itinerantes eram os chamados esmoleres. Esses ficavam circunscritos aos espaços urbanos e serviam para arrecadar dinheiro para a ereção de um templo de uma irmandade, as festas religiosas coletivas ou mesmo a sobrevivência pessoal através da mendicância.

Oratórios de Algibeira ou de Viagem Miniatura

São assim chamados aqueles que eram carregados nos bolsos, junto ao corpo do fiel. De pequenas dimensões, eram usados tanto em viagens como no dia a dia. O santo de devoção era carregado dentro de pequenos invólucros de cerca de 10 cm como sinal de proteção cotidiana. Essas caixinhas, bastante simples e com formatos que pouco variava, davam mais ênfase ao santo de devoção do que à decoração externa das mesmas. Dentro desta categoria estão os Oratórios de Esmoler (usados pelos mendicantes, eram dependurados no pescoço e às vezes possuíam uma gaveta para guardar o dinheiro arrecadado), os Oratórios Arca (eram transportados por padres a localidades distantes para celebração de casamentos, batizados, missa fúnebre etc.), os Oratórios de Arte Conventual (dos mosteiros de freiras esses oratórios iam para as casas dos fiéis), os Oratórios Pingente (geralmente usados como jóias pelas mulheres), além dos Oratórios Bala e de Alcova.

Oratórios Bala

Muito usado pelos tropeiros, esse tipo de oratório é chamado "bala" pela semelhança com a forma de balas de cartucheira. A forma inusitada desses oratórios transformou-se, com o tempo, em opção estética, aparecendo exemplares eruditos de artistas como Francisco Vieira Servas. Por outro lado, surgiram no século XIX oratórios elaborados dentro de uma bala de cartucheira verdadeira, em uma inusitada forma de criatividade popular. Por se adaptarem bem tanto em pequenas como em grandes dimensões, esses tipos de oratórios solucionaram o problema do transporte do santo de devoção. Nas viagens, eram enrolados em cobertores e amarrados no lombo do burro junto à carga. A maior parte deles possuía o santo de devoção entalhado ou colado na caixa para evitar acidentes ou perdas. Alguns, muito pequenos, cumpriam a função dos oratórios de algibeira, podendo ser colocados junto ao corpo dos fiéis.

 
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